Explore seu Paladar: Sours e Cervejas com Frutas

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Não muito diferente do que acontece nos outros mercados,  as tendências do mercado cervejeiro brasileiro seguem o que acontece no mundo afora. Somos um país muito jovem quando se trata de produção de cerveja artesanal e ainda estamos criando nossa própria identidade. As cervejarias históricas que existiram, principalmente no Sul do Brasil, produziam essencialmente cervejas tradicionais alemãs, onde os ingredientes eram apenas água, malte, lúpulo e levedura, sem muito espaço para invenções ou criatividade.

Entretanto, na mesma Alemanha na qual nos inspiramos para fazer nossas primeiras cervejas, mais especificamente em Berlim, existe um estilo de Weiss Bier um pouco diferente: a Berliner Weisse. Esta cerveja tem a cervejaria Kindl como praticamente única produtora do estilo e, diferentemente do que se pode pensar, este estilo não é muito bebido em Berlin. Na verdade, é bastante difícil encontrar alemães bebendo esta cerveja, que em geral é procurada por turistas.

Mas por que estamos falando da Berliner Weisse? Porque ela é uma cerveja ácida, com pH em torno de 3,5 em função da acidez láctica que ela possui, ABV em torno de 3% e com baixíssimo amargor. É uma cerveja de trigo, como indica o nome, mas com corpo muito baixo. Para facilitar o consumo dos desavisados da sua acidez, é comum colocar xaropes com sabor de maçã verde, framboesa, entre outros, para adoçar a bebida.

De volta ao Brasil, estamos na onda das cervejas Sours (ácidas), onde o estilo Berliner Weisse foi facilmente incorporado pelos beer geeks, principalmente por ser, ao mesmo tempo, irreverente e fácil de beber. Entretanto, como somos um país tropical, por que não adicionar nossas frutas a esta cerveja? Aprendemos com a tradicional e aclamada Escola Belga que, a adição de frutas ao processo de produção pode trazer muitos benefícios e resultados interessantes.  Ao adicionarmos frutas na mosturação (cozimento do malte com água e lúpulo), geramos açúcares fermentáveis. Adicionando na fermentação e maturação (temperaturas mais baixas) potencializamos os aromas, sabores e também MAIS acidez.

Foi com estas “brincadeiras” e experimentações que um pessoal de Santa Catarina criou (pode ser lido com aspas por algumas pessoas) um novo estilo de cerveja: a Catharina Sour. De acordo com este grupo de pessoas, trata-se de um estilo similar a uma Berliner Weisse, mas com ABV um pouco mais elevado, aproximando-se a 5% e utilização de frutas tropicais. O estilo caiu no gosto do público.

Essa semana nas torneiras temos a Dry Hopped Butiá Sour da Cervejaria Old Boys.  Uma cerveja que combina uma fruta bem comum aqui no sul do Brasil, o Butiá, com dry-hoppingO butiá contribui na receita com sua acidez natural, arredondando o sabor e dando mais personalidade à acidez do LactobacillusOs lúpulos acentuam os aromas frutados e cítricos, com um amargor suave e agradável. Uma cerveja para matar a sede! ABV 4% IBU 8

Divulgação Old Boys

Por aqui, em terras tupiniquins seguimos nos inspirando em outras escolas. Quem sabe, num futuro próximo, surge a Escola Brasileira de fazer cerveja?